Eu, Eddy, já sou um ancião na náutica de recreio. Entrei com 15 anos de idade, em 1985. Vivia na Noruega e aprendi o básico lá. Após uns anos de interregno para estudar, nos anos 90, montei a Hydrosport em 1999. Fomos estrear as novas instalações da FIL (Feira Internacional de Lisboa) no Parque das Nações em 2000.
Desde essa altura, a Hydrosport tem participado na Nauticampo de uma forma ou de outra — nos anos em que se realizou este certame. Ora com espaço próprio, ora em espaço de revendedores nossos, ou em espaço de alguma marca de motores com a qual colaboramos.

Desde a loucura do ano 2000, quando era preciso pedir “por favor” à FIL para poder participar, temos observado uma enorme decadência. A FIL, numa atitude sempre prepotente de quem pode, manda e faz, nunca foi capaz de aceder aos pedidos da associação dos profissionais de náutica de recreio, APICAN/ACAP, para dinamizar a feira. O espaço é cada vez mais caro, os bilhetes de entrada idem.
Ao mesmo tempo, nem sequer existe uma divulgação como deve ser do certame. Posso afirmar que este ano não vi um único cartaz ou anúncio a publicitar a feira.
Temos o resultado à vista de todos: meio pavilhão de barcos, visitantes quase não os vemos. Ontem, quarta‑feira e primeiro dia da feira — que costuma ser um dia movimentado — os corredores estiveram vazios o dia todo.
A Hydrosport não vai à Nauticampo para vender barcos. Vamos para que as pessoas não se esqueçam de nós e para dizer que continuamos por cá. Mas isso torna‑se complicado quando as pessoas não vêm. E porque é que hão de vir? Para participar neste espetáculo triste, com um preço de bilhete que quase custa o mesmo que um almoço? Eu não almoço por 8 euros, mas ainda hoje paguei 12 euros e comi bem.

A FIL não faz nada para ajudar. Temos neste momento uma feira para miúdos a decorrer em paralelo. Estão dezenas e dezenas de autocarros estacionados no exterior que trouxeram milhares de crianças. São miúdos às dezenas de milhares. E se a FIL oferecesse um vale para esses miúdos visitarem a feira? Claro que não vão comprar barcos, mas se visitarem 2000 miúdos, se calhar 100 ou 200 chegam à conclusão de que um barco até é uma coisa fixe. Se desses 100, 50 ficarem com o bichinho que todos nós temos, se calhar 20, quando forem crescidos, compram um barco. E seria uma iniciativa que não custava nada. Sempre ouvi dizer que cedo se torce o pepino.
Atenção que esta ideia não é minha — ouvi‑a do Fernando Pereira e achei que valia a pena partilhar.
Voltando a nós, trouxas que participamos todos os anos. Fazemos a inscrição cedo, pagamos o valor pedido e cumprimos a nossa parte. Este ano, como grande parte das firmas que costumam participar não se inscreveu, a FIL entrou em contacto com elas quando faltavam 15 dias para a feira, a oferecer desconto no espaço (!). Mas afinal o que é isto? Isto não é o mesmo que pedir para ninguém se inscrever no próximo ano?

Acho que está na altura de reunir a malta toda da náutica de recreio e procurar um espaço alternativo para realizar a nossa feira anual. Podemos não conseguir um espaço tão bom como o Parque das Nações, mas seguramente não temos de aceitar continuar a ser tratados como os parentes pobres da náutica de recreio em Portugal.
Artigo opinião sobre a Nauticampo 2026 por : Eddy Johansen














