O projeto vai acrescentar 102 novos postos de amarração para embarcações até 30 metros, além de melhorias na infraestrutura de apoio.
A construção já começou na expansão de 12,5 milhões de euros da Marina de Lagos, que irá acrescentar 102 novos postos de amarração para embarcações entre 10 e 30 metros de comprimento, avança o “The Resident”.
Os novos lugares aumentarão a capacidade na doca exterior, complementando os atuais 474 postos da marina. A primeira fase do projeto deverá estar concluída até setembro.
Como parte do desenvolvimento — e como compensação pela incorporação de áreas anteriormente utilizadas pelo porto de pesca — a empresa gestora Marlagos está a investir mais 3 milhões de euros. Este montante financiará 55 postos de amarração para embarcações de pesca profissional, 30 armazéns de pesca com mais de 400 m², 170 lugares em pontões flutuantes para embarcações recreativas locais e 41 postos para o Clube de Vela de Lagos, que também receberá novas instalações.
Martinho Fortunato, CEO da Marlagos, afirmou que os pontões de pesca funcionarão como “compensação” pela expansão, uma vez que esta irá ocupar parte do atual porto de pesca. Acrescentou que os 170 novos lugares recreativos se destinam a “pequenas embarcações de residentes locais, a custos mais baixos, para que todos possam usufruir do mar”.
Fortunato destacou ainda que o projeto contribuirá para a regeneração de uma área anteriormente subutilizada e irá além da frente ribeirinha. “Vamos também criar espaços de armazenamento de artes de pesca, 135 lugares de estacionamento, um clube náutico (centro de eventos e polo de atividades náuticas) e oito espaços comerciais”, explicou.
Embora os novos postos de amarração devam estar operacionais até setembro, as obras e infraestruturas em terra deverão ficar concluídas em 2027. Fortunato estima que o desenvolvimento “represente um aumento de 21%” no “impacto económico” da marina.
Atualmente, a Marina de Lagos gera um volume de negócios anual entre 17 e 30 milhões de euros e acolhe 106 empresas que empregam cerca de 1.350 pessoas.
André Gomes, presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), classificou o investimento como significativo para o setor do turismo náutico da região. “Este é um segmento com enorme potencial de crescimento”, afirmou à agência “Lusa“. “Ao investir na qualificação da oferta de turismo náutico, estamos a acrescentar qualidade e inovação a um setor estratégico para o Algarve.”
Acrescentou ainda que projetos deste tipo estão alinhados com o objetivo da RTA de atrair investimento focado “no mar, na inovação e na excelência”.
O presidente da Câmara de Lagos, Hugo Pereira, afirmou que o município trabalhou em conjunto com a Docapesca e a Marina de Lagos para garantir a salvaguarda do porto de pesca, permitindo que “todos os operadores que queiram vir para aqui tenham essa oportunidade”, ao mesmo tempo que se melhoram as condições de segurança e gestão.
O arquiteto Mário Martins explicou que a requalificação criará “um espaço público que todas as entidades da cidade poderão usufruir” e funcionará como um centro comercial urbano. O futuro edifício do clube náutico terá dois pisos, com oito lojas e esplanadas ao nível do solo, além de instalações como sanitários e balneários para funcionários, utilizadores da marina e público. O piso superior incluirá uma área polivalente com piscina interior, zona de lounge e um miradouro de 360 graus.
“Será muito leve, transparente e contemporâneo”, afirmou Martins, acrescentando que terá “a cor da areia e será muito elegante”.
José Apolinário, presidente da CCDR Algarve, descreveu o projeto como assente em “resiliência, determinação e risco”, sublinhando a sua importância para reforçar o posicionamento do Algarve no turismo náutico. Destacou ainda o papel estratégico da náutica de recreio e da valorização das frentes ribeirinhas no desenvolvimento económico regional, criação de emprego e competitividade, dentro de um conceito mais amplo de “portos e marinas verdes”.














