A Divisão Náutica da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), divulgou o Relatório Estatístico 2026, documento que atualiza a fotografia de um setor que, apesar de estratégico para a economia do mar, continua longe das prioridades políticas nacionais.
A 30 de abril de 2026, Portugal contabilizava 76 326 embarcações de recreio registadas, um crescimento de 3,47% face a maio de 2024. O segmento marítimo‑turístico destacou‑se com 2 960 embarcações, mais 14,86%, enquanto em 2025 foram emitidas 11 270 cartas de navegador, sinal de procura crescente e de maior atividade formativa.
A Divisão Náutica representa toda a cadeia de valor — indústria, comércio, serviços, estaleiros, distribuidores, formação, marinas e operadores marítimo‑turísticos — um ecossistema que gera emprego, exportações e investimento em todo o território.
Mas o relatório deixa um aviso claro: apesar do dinamismo, a náutica de recreio “permanece afastada das grandes estratégias de desenvolvimento do país”. A falta de articulação entre DGAM, DGRM e IRN continua a provocar atrasos em processos essenciais, enquanto o Decreto‑Lei n.º 43/2026 introduziu uma definição demasiado ampla de Embarcação de Alta Velocidade, penalizando operadores que cumprem escrupulosamente a lei.
Para Fernando Sá, presidente da Divisão Náutica da ACAP, o diagnóstico é inequívoco: “Portugal tem costa, clima, empresas e uma procura crescente. Este relatório demonstra que a náutica não é um sector marginal: é uma oportunidade concreta de crescimento. Precisamos de uma estratégia, de processos administrativos eficientes e de legislação proporcional.”
A publicação reúne indicadores sobre embarcações, distribuição territorial, classes de navegação, atividade marítimo‑turística, formação e fabricantes, oferecendo uma base factual para decisões públicas e empresariais mais informadas — e reforçando a ideia de que o mar continua a ser uma oportunidade que Portugal ainda não aproveita plenamente.














