O mercado global de construção de embarcações estabilizou nos 33,3 mil milhões de euros em 2025, apesar de uma procura mais fraca após a recuperação pós‑pandemia, segundo a mais recente edição do relatório The State of the Art of the Global Yachting Market, publicado pela Deloitte em parceria com a associação italiana Confindustria Nautica.
Representantes da indústria e analistas reuniram‑se na Borsa Italiana, em Milão, para a apresentação do relatório global do setor náutico elaborado pela Deloitte e pela Confindustria Nautica.

O estudo revelado prevê uma contração de 2,1% no mercado global de novas construções entre 2023 e 2025. No entanto, a Itália deverá continuar a superar o mercado internacional, com o setor de construção náutica a crescer cerca de 5% no mesmo período, impulsionado sobretudo pelo segmento dos superiates.
A construção náutica italiana deverá ultrapassar os 5 mil milhões de euros em valor até 2025, com cerca de 70% da produção associada a iates de grande porte e superiates. A Itália continua também a reforçar a sua posição no mercado global de superiates, representando 56% das encomendas mundiais em volume e 36% em valor. O relatório destaca a importância contínua das exportações para a indústria náutica italiana: cerca de 90% da produção destina‑se a mercados internacionais e 70% das exportações seguem para fora da União Europeia. Em 2024, o setor contribuiu com 8,6% do excedente comercial total de Itália.
A nível global, o segmento inboard representou 59% do mercado em 2024, enquanto os segmentos outboard e vela representaram 33% e 8%, respetivamente. A América do Norte e a Europa continuaram a dominar o mercado, concentrando cerca de 75% do valor global das novas construções.

A carteira global de encomendas de superiates atingiu 677 unidades em 2025, com o segmento dos 30 a 40 metros a representar 45% do total. O valor global da carteira chegou a 29 mil milhões de euros em 2024, um aumento de 4% face ao ano anterior, com embarcações acima dos 60 metros a representarem mais de metade do valor total.
As perspetivas do setor apontam para uma estabilização do mercado em 2026, com uma ligeira contração de 0,7%, seguida de uma recuperação gradual a partir de 2027, quando se espera um crescimento anual de cerca de 3%. A procura deverá concentrar‑se cada vez mais nos segmentos de iates médios e grandes.
Durante a apresentação, os oradores discutiram a resiliência do mercado, a procura por superiates e o impacto da incerteza geopolítica. Roberta Laveneziana, Listing Senior Account Manager Mid & Small Cap da Borsa Italiana – Euronext Group, afirmou que o acesso aos mercados de capitais pode ajudar as empresas do setor a reforçar a visibilidade internacional e a apoiar planos de expansão. “Num contexto global cada vez mais desafiante, a capacidade de inovar, investir e crescer de forma sustentável é fundamental”.

Por seu lado, Marina Stella, diretora‑geral da Confindustria Nautica, destacou que o relatório se tornou uma ferramenta analítica essencial para compreender a dinâmica do mercado global e apoiar decisões estratégicas no setor. “O estudo confirma a resiliência e a força competitiva da indústria náutica italiana num contexto internacional complexo e em constante evolução”, acrescentou Piero Formenti, presidente da Confindustria Nautica. “A Itália continua a reforçar a sua posição, registando resultados que superam o mercado global em termos de encomendas e consolidando a liderança no segmento de superiates de elevado valor acrescentado.”
Tommaso Nastasi, Strategy & Value Creation Leader da Deloitte Advisory Italy, afirmou que o foco italiano nos grandes iates ajudou a proteger o setor das pressões do mercado global. “A indústria náutica italiana está a contrariar a tendência do mercado internacional, graças a uma estrutura industrial centrada sobretudo nos grandes iates, que são contracíclicos face ao contexto macroeconómico”, explicou.
Antonio Solinas, Deputy Business Leader da Deloitte Advisory Italy, alertou que tarifas e tensões geopolíticas continuam a ser uma preocupação central para o setor, podendo afetar margens, estratégias de exportação e perspetivas de crescimento global.














